quarta-feira, janeiro 30

ROBERT RAUSCHENBERG



DECLARAÇÃO SEM TÍTULO (1959)

Todos os incentivos à pintura são bons. Não há temas maus. A pintura é sempre mais forte quando em vez de composição, cor, etc., tem a aparência de um facto ou de uma inevitabilidade e não de uma recordação ou um arranjo.
A pintura diz respeito tanto à arte como à vida. Nenhuma delas pode ser construída (tento agir no intervalo entre as duas).
Um par de peúgas não é menos adequado para fazer parte de um quadro do que madeira, pregos, terebentina, tinta de óleo e tecido.
Uma tela nunca está vazia.


NOTA SOBRE PINTURA (1963)

Acho quase impossível gelo grátis escrever sobre jeepaxle a minha obra. O conceito que eu planetário tento tratar ketchup opõe-se à continuidade lógica soltar barra inerente à linguagem cavalos e à comunicação.
O meu fascínio pelas imagens aberto 24 horas baseia-se num encadeamento complexo de factos visuais dispares piscina aquecida que não respeita a gramática. A forma é pois Denver 39 indirectamente nada. A obra tem então a possibilidade de assistência eléctrica se tornar o seu próprio cliché. Bagagem. Este é o destino inevitável, feira popular de qualquer objecto inanimado serviço de carga, quero dizer, tudo o que não tenha como possibilidade incorporada a inconsistência.
O produto de uma obra baseia-se gelo gelado na dose de intensidade, concentração e alegria investida atravessar as estradas no acto de trabalhar. O carácter do artista tem de ser responsável e feliz. Pessoalmente nunca estive interessado num motivo defensável bilhete-postal para trabalhar a realização funcionalmente é a ilusão de fazer uma obra necessária breve muda a arte. Parece-me uma grande parte mocassins índios da urgência de trabalhar reside no facto de agirmos livremente amigos e parceiros podem passar a estar mais estreitamente aliados a nós em breve. As franquias postais dos Estados Unidos - higienicamente embaladas - poupam uma ida aos correios formas... arquivos... limpa com a corrente das chaves esqueces-te de trazê-la contigo... para fazer seja o que for cuja necessidade só pode ser determinada pescar 7 primaveras depois da sua existência e o discernimento sujeita-se a mudar a qualquer momento. 15' 18''.
É extremamente importante que a arte seja injustificável.

Breves notas biográficas: Robert Rauschenberg é uma das figuras maiores da arte internacional da segunda metade do século XX. Enquanto artista esteve envolvido na prática da pintura, da escultura, da fotografia, da performance, da dança ou do teatro, promovendo uma postura interdisciplinar que o alia, de forma singular, ao dealbar da chamada pós modernidade.

IN: ROBERT RAUSCENBERG - Crítica e Obra de 1949 a 1974 - Editado por Bruno Marchand.
Colecção de Arte Contemporânea Público-Serralves Nº10

Nota do editor deste Blog: tomei há pouco tempo contacto com a obra de Robert Rauscenberg, precisamente através da publicação acima referida e da qual retirei as duas declarações aqui transcritas integralmente. Além da sensação de grande pequenez perante a genialidade demonstrada por este artista, e de ignorância pelo facto de não me ter apercebido mais cedo da sua obra, (embora reconheça as suas influências do surrealismo e nas bases do movimento pós moderno) estas duas pequenas/grandes declarações marcaram-me particularmente. Não conheço (acredito que não só por ignorância) melhor forma de pensar a arte e a fotografia.
Já tive oportunidade de ler algumas coisas que se lhe aproximavam. Eu próprio tenho tentado, num processo de investigação "anárquico", (no sentido de ser o mais possível despreocupado de qualquer regra formal e conscientemente imposta) encontrar o ponto a partir do qual, tudo gira. Mas há sempre um momento em que somos obrigados a parar um pouco e apenas observar: é nesses momentos, em que nos apercebemos que, por muito que queiramos criar, por muito longe que queiramos chegar, já houve um génio que lá chegou e foi muito além de todos os nossos sonhos, muito antes de nós. O que fazer então? Desistir?
Penso que a arte além de dizer respeito à vida e ser tão injustificável quanto ela, é igualmente como a vida um percurso solitário. Cada um faz o seu. Não será todo o percurso de Rauschenberg, ou de todos os Rauschenbergs que existiram, existem ou venham a existir, que definirá o meu percurso, ou de qualquer um que pretenda crescer caminhando pelos labirintos do espírito humano. No entanto, penso que será uma boa lanterna.

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